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Contaminações

Contaminações: um gesto artístico-coletivo foi uma exposição organizada pelo Coletivo Torttto que propôs pensar a arte como um ecossistema de trocas, convivência e criação coletiva. Inspirada em ideias de interdependência entre seres, territórios e imaginários, a mostra buscou abrir espaço para práticas que valorizem o compartilhamento, a colaboração e novas formas de coexistência.

 

A proposta foi reunir trabalhos que não se limitem a uma autoria única, incentivando processos coletivos e interações entre artistas, público e espaço. Obras que dialoguem com a ideia de convivência com os problemas do mundo — por exemplo, trabalhos feitos a partir de resíduos, sucatas ou materiais descartados, que proponham novos sentidos para aquilo que foi deixado de lado.

 

O convite foi aberto a artistas, não-artistas, educadores e pessoas de diferentes áreas que proporam experiências, intervenções ou obras para o espaço do Estúdio Torttto. As propostas assumiram diversos formatos, como instalações, trabalhos colaborativos e projetos que dialogaram com o ambiente e com outras obras presentes na exposição.

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um gesto artístico coletivo

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fotos por @yanbello_

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um gesto artístico coletivo

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A exposição Contaminações: Um gesto artístico-coletivo surge a partir de encontros de participantes do Coletivo Torttto preocupades com a continuidade da vida na Terra e com a forma como nos relacionamos entre nós, outras espécies e os restos. Logo, nossos olhares se encontraram aos de muites artistas que se inscreveram em nossa chamada. Vinte e quatro propostas, instalações, performances e trabalhos de outros formatos consolidam agora um campo aberto de contaminações entre as diversas formas de vida presentes no espaço do Torttto.

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Nos encontramos primeiramente com o problema da relação humana com a Terra no livro de Donna Haraway. Em “Ficar com o problema: fazer parentes no chthluceno”, a autora descreve que nenhum corpo sobrevive sozinho na Terra, senão em codependência entre espécies, territórios, máquinas e imaginários-outros, compreendendo estas relações como ambiguamente conflituosas e harmônicas.

artes por Quod Micaua

Exemplifica este fator a partir do micélio: esta rede fúngica multiespécie subterrânea onde nada existe isoladamente, garantindo o equilíbrio do ecossistema na Terra. A monocultura e o ideal colonial de superioridade humana, em contraponto, nos aproximam de um mundo cada vez mais degradado. A sobrevivência, portanto, deveria ser uma estratégia de alianças, de um fazer-com (simpoiese) em que o mundo é reconstruído coletivamente no inevitável e transformador encontro entre diferentes espécies, onde a contaminação é a própria condição para a existência da vida.

 

Nas propostas desta exposição, os trabalhos são simpoieses, convidando visitantes ao gesto da interação, da elaboração de formas e pensamentos infinitos. Se configuram como objetos que existem a partir do contato. Corpos que interagem entre si, entre plantas, musgos, seres vivos, climas, ambientes. Poder vivenciar o espaço de corpo inteiro. Sujar as mãos, sujar os olhos, as bocas, permitir contaminar-se ao manusear livros de carne, bombas de sementes, sopas de letrinhas, tintas oleosas. Ver reflexos de nossos rostos derretendo como as geleiras nas paredes da casa. Habitar a nossa casa. Dançar com o problema. Viver com o problema: refazer ecossistemas com sucatas, cultivando novos imaginários a partir de resíduos que se transformam em vidas… Diante da Terra degradada, aprender a agir com respons-habilidade: fazer-com, em uma radical e sensual curiosidade micelar.

Mari Dagli

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Fotos de abertura

por @yanbello_

artes por Quod Micaua

Fotos
de abertura

por @estudio.caqui

Sexta

Bombas de sementes: Oficina de intervenção urbana com Acsah Rosa

Uma oficina prática e reflexiva sobre bombas de sementes, abordando a história da técnica e sua relação com cultivo, reflorestamento e intervenções urbanas.

Durante o encontro, foram discutidas questões sobre a perda de áreas verdes e a ocupação do espaço coletivo, seguidas pela produção de bombas de sementes feitas com argila, terra e espécies adequadas ao contexto local.

Laboratório de Mediação Performativa com José Arispe

O Laboratório de Mediação Performativa (LMP) é um espaço de pesquisa multidisciplinar desenvolvido pelo artista José Arispe Rodriguez, focalizado na arte conceitual, espaços sensoriais e metodologias lúdicas.

 

Por meio de uma visita naturista à exposição após horário de visitação (com presença apenas da equipe autorizada) a audiência participa de uma performance coletiva que foi registrada pelo artista no estúdio e ateliê Torttto.

 

Nosso objetivo é procurar conexões alternativas entre o público e a obra, permitindo outras formas de recepção e diálogo em salas de arte.

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Matéria feita por participantes AQUI

O que fica quando a roupa vai embora: notas sobre arte, nudez e presença

Roda de conversa “Proliferações tecno imaginativas: uma conversa sobre IA” com Renata Oliveira e Marú Scavone

Sábado

Escrita sobre a discussão, por Renata Oliveira AQUI

Roda de conversa com es artistas pelo espaço

Nota sobre as fichas técnicas

Aqui alguns dos dispositivos expográficos que desenvolvemos para a exposição Contaminações: um gesto artístico-coletivo!

 

Na nossa equipe, sempre discutimos sobre acessibilidade e mediação dos trabalhos artísticos nas exposições do Torttto. Nos preocupávamos com a proposta educativa do nosso espaço, já que somos também um centro cultural. Como acessibilizar arte aos visitantes? Educamos nossa equipe pra explicar cada trabalho? Colocamos uma placa com um texto sobre o trabalho artístico bem visível? Mas e se isso entregar demais a poética e não deixar espaço pra fruição?

 

É bem difícil na nossa casa fornecer uma real acessibilidade a pessoas com deficiência, por exemplo (rampas, áudio descrições, braille), devido à própria estrutura da casa e ao nosso baixíssimo orçamento. Quisemos, então, focar ao menos no lado educativo proporcionado pelo texto corrido.

 

Foi aí que tivemos a ideia de fazer uma ficha técnica / descrição. Uma sobreposição, onde a descrição do trabalho/artista ficaria por baixo da ficha técnica, permitindo ao visitante ler sobre o trabalho apenas se ele tiver desejo de conhecer mais. A ficha técnica impressa em vegetal mostra que há um texto por baixo dela, mas só através da mão do visitante levantando a ficha que será possível ler o que há por baixo. A proposta induz à ação, que é a ideia central da nossa exposição: a interação com os trabalhos, pessoas e vidas presentes naquele espaço. Pra completar, ficha técnica e descrição se contaminam visualmente, o que encerra poeticamente essa bonita combinação de mediação e informação.

 

Esse é um modelo de ficha técnica desenvolvido por nós, equipe curatorial da exposição Contaminações do Torttto. Há modelos semelhantes de fichas que podem ser manuseadas em museus educativos/científicos/etc. Não tivemos notícia de se esse modelo específico foi usado em algum outro lugar antes (se alguém já tiver visto algo semelhante, conta pra nós!), então fica aqui o registro do nosso trabalho em equipe.

Por fim, nossa equipe

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Izabela Rossi - produção e curadoria

Quod Micaua - curadoria e design

estudio.caqui - foto e marketing

Marú Scavone e Guile Ferrari - apoio

Mari Dagli e Viv - produção e curadoria

Achoquesoueu - curadoria e apoio

yanbello_

fotografia

Barbara, afetoamesa.cafe

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Brito - Bar

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Vitoria Guimarães

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